O que marcou a medicina em julho de 2026? Ao longo do último mês, pesquisas, alertas epidemiológicos, decisões regulatórias e debates sobre a prática médica movimentaram a área da saúde e ganharam destaque entre profissionais e pacientes.
Nesta edição do Radar Clínico, você confere um panorama com as últimas notícias que repercutiram na medicina durante o mês, além de conteúdos que ajudam a entender seus impactos na prática clínica.
Ao final, ainda reunimos dicas culturais com filmes, séries, documentários e livros relacionados à saúde para aproveitar o tempo livre sem se afastar do universo médico.
Acompanhe, a seguir!
Leia também:
HPV também está associado ao câncer de amígdala
O ator Moshe Kasher, conhecido por sua participação na série The Pitt, revelou recentemente ter sido diagnosticado com câncer de amígdala associado ao HPV. Ao compartilhar sua experiência, ele aproveitou para alertar sobre a importância da vacinação e da investigação precoce de sintomas persistentes.
Embora o HPV seja amplamente conhecido por sua relação com o câncer do colo do útero, o vírus também está associado ao desenvolvimento de tumores da orofaringe, especialmente nas amígdalas e na base da língua. O cenário tem chamado a atenção de especialistas: dados da Universidade de São Paulo apontam aumento desses casos entre adultos jovens, enquanto o Instituto Nacional de Câncer estima mais de 12 mil novos diagnósticos de câncer da cavidade oral e da orofaringe por ano no Brasil.
Entre os sinais que merecem avaliação médica estão dor persistente ao engolir, sensação de corpo estranho na garganta, aumento de gânglios no pescoço e dor de ouvido sem causa aparente. Quando identificados precocemente, esses tumores apresentam maiores chances de tratamento bem-sucedido.
A vacinação contra o HPV continua sendo a principal medida de prevenção, aliada à conscientização sobre os fatores de risco e ao diagnóstico precoce.
Leia a reportagem completa no Portal Âncora 1
Canetas emagrecedoras do Paraguai: o princípio ativo não é a única preocupação
Uma análise conduzida pela Unicamp identificou a presença de tirzepatida em cinco medicamentos comercializados no Paraguai: Tirzedral, TG, Lipoless, Tirzec e Gluconex, produzidos por diferentes laboratórios do país.
Os testes confirmaram a presença do princípio ativo nas amostras analisadas. No entanto, esses medicamentos não possuem aprovação da Anvisa para comercialização no Brasil, o que significa que não passaram pelo processo de avaliação exigido para garantir sua qualidade, eficácia e segurança dentro das normas brasileiras.
Outro ponto de atenção é a cadeia de refrigeração. A tirzepatida exige condições específicas de armazenamento e transporte para manter sua estabilidade. Em casos de importação irregular, não há como assegurar que o medicamento tenha permanecido dentro da temperatura recomendada durante todo o trajeto, o que pode comprometer sua eficácia.
Em outras palavras, o problema não está necessariamente na formulação das chamadas canetas paraguaias, mas na ausência de validação regulatória pela Anvisa e na impossibilidade de garantir que o transporte tenha preservado corretamente o princípio ativo.
Para médicos, o caso reforça a importância de orientar pacientes sobre os riscos da aquisição de medicamentos por vias não autorizadas e de incentivar o uso de produtos aprovados pelos órgãos reguladores brasileiros.
Leia a reportagem completa na revista Exame.
O cérebro também sente frio
Quem mora no Sul do Brasil provavelmente já percebeu que, nos dias de temperaturas mais baixas, manter a concentração parece exigir um esforço maior. A ciência mostra que essa percepção faz sentido.
Um estudo publicado no International Journal of Industrial Ergonomics expôs voluntários a temperaturas de até -15 °C e observou prejuízos em diferentes funções cognitivas, incluindo memória visual, percepção e destreza manual. A pesquisa também registrou uma redução de 13,6% na coordenação motora em comparação com o desempenho em ambiente aquecido.
A explicação está na resposta fisiológica ao frio. Para preservar a temperatura dos órgãos vitais, o organismo redireciona energia para funções essenciais, reduzindo temporariamente o desempenho de processos que exigem maior esforço cognitivo e motor.
Embora esses efeitos sejam mais evidentes em condições de frio intenso, o estudo reforça que o inverno pode influenciar não apenas o conforto físico, mas também a atenção, a coordenação e o desempenho em atividades que exigem precisão.
Leia o estudo completo no International Journal of Industrial Ergonomics.
A segunda pandemia do século XXI pode começar na infância
O mundo pode estar diante de uma emergência silenciosa que se espalha por telas. O alerta é do renomado pedagogo italiano Francesco Tonucci, que classifica o uso precoce e excessivo de smartphones e tablets na primeira infância como a segunda pandemia do século XXI.
A preocupação está justamente no período em que o cérebro se desenvolve com maior intensidade. Segundo o Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, mais de 1 milhão de novas conexões neurais são formadas a cada segundo nos primeiros anos de vida, tornando essa fase especialmente sensível aos estímulos do ambiente.
Para Tonucci, o uso das telas como forma de entreter ou acalmar crianças pode reduzir experiências indispensáveis ao desenvolvimento, como o brincar livre, o contato visual, a interação social e até a capacidade de lidar com o tédio.
Os impactos podem ultrapassar a infância. A especialista em tecnologia Michelle Schneider destaca que o excesso de tempo diante das telas pode prejudicar habilidades como a leitura de expressões faciais, a empatia e a comunicação interpessoal, competências que tendem a se tornar ainda mais valorizadas em um mercado de trabalho cada vez mais influenciado pela inteligência artificial.
A proposta de Tonucci para enfrentar esse desafio é direta: devolver às crianças tempo, espaço e liberdade para brincar, explorar o mundo e construir relações presenciais.
Leia a reportagem completa no jornal O Sul.
Soroterapia: o que a ciência diz sobre a prática que viralizou nas redes
A soroterapia voltou aos holofotes depois de aparecer nos stories do jogador Vini Jr. e da influenciadora Virginia Fonseca. Após receber uma infusão com vitamina B12, vitamina C e outras substâncias, Virginia afirmou que estava "outra mulher" e que o procedimento havia "levantado defunto".
Apesar da repercussão, relatos pessoais não substituem evidências científicas.
A soroterapia consiste na administração intravenosa de vitaminas, minerais e outros compostos. Essa via possui indicações médicas bem estabelecidas em situações específicas, como deficiências nutricionais, determinadas doenças e pacientes que não conseguem receber nutrientes por via oral. O problema surge quando o procedimento é oferecido a pessoas saudáveis com promessas de aumentar a imunidade, elevar a disposição ou proporcionar benefícios estéticos.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo já alertou que não há comprovação científica de benefícios da soroterapia para indivíduos saudáveis.
Além disso, o procedimento não é isento de riscos, podendo causar infecções, tromboses, arritmias cardíacas, intoxicações e até reações alérgicas graves, como anafilaxia.
A principal mensagem é que doses extras de vitaminas e minerais não significam, necessariamente, mais saúde. Em excesso, alguns nutrientes podem causar efeitos adversos e, quando administrados diretamente na corrente sanguínea, exigem indicação clínica e acompanhamento médico.
Leia a reportagem completa na Veja Saúde.
Senado aprova projeto que aumenta penas para crimes contra médicos
Exercer a Medicina exige preparo técnico, equilíbrio emocional e capacidade de tomar decisões sob pressão. Em muitos serviços de saúde, porém, os profissionais ainda enfrentam outro desafio crescente: a violência durante o exercício da profissão.
Recentemente, o Plenário do Senado aprovou o Projeto de Lei nº 2.672/2025, que amplia as punições para diversos crimes cometidos contra profissionais da saúde e da educação no desempenho de suas funções.
O texto altera o Código Penal e prevê aumento de pena para crimes como lesão corporal, ameaça, desacato, crimes contra a honra e incitação ao crime. Dependendo da situação, as penas podem ser ampliadas em até dois terços ou até dobradas.
Segundo o relator da proposta, senador Dr. Hiran, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde frequentemente acabam sendo alvo da insatisfação da população com as deficiências estruturais do sistema de saúde, sofrendo agressões físicas e verbais enquanto prestam atendimento.
A aprovação do projeto representa um passo importante para reforçar a proteção de quem atua diariamente em prontos-socorros, UPAs, hospitais e demais serviços de urgência e emergência, onde situações de conflito fazem parte da rotina.
A partir da aprovação do projeto, as penas relacionadas a crimes contra profissionais da saúde e da educação devem ficar assim: