Durante a investigação, porém, a ultrassonografia revelou uma tireoide difusamente aumentada, heterogênea e com septações ecogênicas lineares, achados compatíveis com tireoidite de Hashimoto. A confirmação laboratorial do hipotireoidismo e o início da reposição hormonal levaram à recuperação da função renal em poucas semanas.
Embora manifestações renais como essa sejam incomuns, o caso ilustra como as tireoidopatias podem apresentar sinais clínicos pouco específicos e envolver diferentes sistemas do organismo. Nesses cenários, o diagnóstico por imagem desempenha um papel importante ao fornecer evidências que orientam a investigação e aceleram a definição diagnóstica.
Neste artigo, você vai entender como os principais métodos de imagem são utilizados na avaliação das tireoidopatias, quais achados merecem atenção e por que a ultrassonografia é considerada o exame de primeira escolha para investigar alterações da glândula tireoide. A seguir, saiba mais!
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O que são tireoidopatias?
As tireoidopatias são um conjunto de doenças que afetam a glândula tireoide, responsável pela produção dos hormônios tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3). Esses hormônios regulam processos essenciais do organismo, como metabolismo, crescimento, desenvolvimento neurológico, temperatura corporal, função cardiovascular e equilíbrio energético.
Essas doenças podem alterar tanto a estrutura quanto o funcionamento da glândula.
Em alguns casos, a produção hormonal é reduzida, caracterizando o hipotireoidismo.
Em outros, ocorre produção excessiva de hormônios, levando ao hipertireoidismo.
Também podem surgir alterações anatômicas, como nódulos, cistos, aumento difuso da tireoide ou processos inflamatórios, que nem sempre provocam alterações hormonais.
Entre as principais tireoidopatias estão:
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Câncer de tireoide: especialmente os carcinomas papilífero e folicular, que apresentam altas taxas de cura quando diagnosticados precocemente;
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Nódulos tireoidianos: geralmente benignos, mas que exigem investigação para excluir malignidade;
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Tireoidite de Hashimoto: principal causa de hipotireoidismo de origem autoimune;
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Doença de Graves: causa mais frequente de hipertireoidismo autoimune;
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Bócio: caracterizado pelo aumento do volume da glândula;
Embora exames laboratoriais, como TSH e T4 livre, sejam fundamentais para avaliar a função tireoidiana, o diagnóstico completo depende da integração entre história clínica, exame físico e métodos de imagem.
A ultrassonografia, em especial, tornou-se indispensável para caracterizar alterações morfológicas, identificar sinais sugestivos de doenças inflamatórias e estratificar o risco de malignidade em nódulos, orientando a necessidade de punção aspirativa ou apenas acompanhamento.
Quando suspeitas de tireoidopatia na prática clínica?
As tireoidopatias podem se manifestar de forma evidente ou apresentar sintomas inespecíficos, o que exige atenção do médico durante a avaliação clínica.
Fadiga persistente, alterações de peso sem causa aparente, intolerância ao frio ou ao calor, palpitações, alterações do humor, constipação, tremores, queda de cabelo e irregularidades menstruais estão entre os sinais que justificam a investigação da função tireoidiana.
O exame físico também fornece pistas importantes. A presença de bócio difuso, nódulos palpáveis, aumento do volume cervical ou dor na região da tireoide pode indicar a necessidade de exames laboratoriais e de imagem.
Em pacientes com doenças autoimunes, histórico familiar de disfunção tireoidiana ou exposição prévia à radiação cervical, o grau de suspeição deve ser ainda maior.
A ultrassonografia desempenha papel central nessa investigação, pois permite identificar alterações estruturais mesmo antes do aparecimento de manifestações clínicas importantes.
Achados como tireoide heterogênea, redução difusa da ecogenicidade, aumento do volume glandular e septações ecogênicas podem sugerir tireoidite crônica, especialmente a tireoidite de Hashimoto, auxiliando na correlação com exames laboratoriais e na definição da conduta clínica.
Além da avaliação de doenças inflamatórias, o exame também é indispensável para caracterizar nódulos, estimar o risco de malignidade e indicar quando há necessidade de punção aspirativa ou apenas acompanhamento periódico.
Dessa forma, o diagnóstico por imagem amplia a capacidade do médico de identificar precocemente as principais tireoidopatias e conduzir o paciente com maior segurança.
Qual é o papel do ultrassom no diagnóstico?
A ultrassonografia é o principal método de imagem para avaliação da tireoide. Por ser um exame não invasivo, amplamente disponível e sem exposição à radiação ionizante, ela permite analisar em tempo real a anatomia da glândula, identificar alterações difusas, caracterizar nódulos e orientar procedimentos como a punção aspirativa por agulha fina.
O exame fornece informações que complementam a avaliação clínica e laboratorial. Aspectos como volume da glândula, ecogenicidade, textura do parênquima, vascularização e presença de calcificações ajudam a diferenciar doenças inflamatórias, como a tireoidite de Hashimoto, de lesões nodulares que exigem acompanhamento ou investigação adicional.
Também é por meio da ultrassonografia que sistemas de classificação, como o TI-RADS, auxiliam na estratificação do risco de malignidade dos nódulos tireoidianos.
Mais do que solicitar o exame, o médico que domina a ultrassonografia ganha autonomia para integrar imediatamente os achados de imagem ao contexto clínico do paciente.
Em muitas situações, a realização do ultrassom durante a consulta acelera a investigação, reduz a necessidade de encaminhamentos e permite definir a conduta no mesmo atendimento.
Ou seja, saber operar o equipamento, reconhecer padrões ultrassonográficos e correlacionar esses achados com os exames laboratoriais amplia a precisão diagnóstica e proporciona maior segurança na tomada de decisão.
No vídeo abaixo, o Dr. Marcelo Aquino, coordenador da pós-graduação em Ultrassonografia Muscoesquelética da Inspirali Pós Medicina, fala sobre como aprender a operar o ultrassom: